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O Apelo à fé afirma que podemos saber da existência de Deus por meio da Fé. Mesmo que isso fosse verdade, esse argumento sofre de uma limitação óbvia: Para aceitar o argumento, alguém já deve ter aceitado-a antes.

Declaração Formal

  1. A fé é o método único de conhecer [a Deus].
    • a) Nada pode ser conhecido com certeza ou ser comprovado a partir do zero.
    • b) Em vez disso, temos de confiar em certas suposições que nós tomamos por fé.
    • c) Através da fé podemos saber destas verdades que não podem ser verificados.
  2. P2. A existência de Deus não pode ser determinada a não ser por meio da fé.
  3. P3. Eu tenho fé em Deus.
  4. C1. Deus existe.

Contra-argumentos

a) da P1 é uma Falsa premissa

A premissa de que nada pode ser provado com certeza ou a partir do zero pode ser demonstrado como falso quando você considera "Penso, logo existo", a matemática e as 3 leis lógicas absolutas. Você pode provar para si mesmo que sua mente existe de alguma forma possível, e que 2+2=4 com certeza absoluta. A resposta ainda suficiente simples para essa premissa é: "e daí?". A ciência não funciona com certezas absolutas na maioria dos assuntos, mas ainda é comprovadamente a melhor maneira de descobrir o mundo. Por exemplo, a evolução não é comprovada absolutamente, no entanto, pode ser considerada um fato.

A fé não é necessária em nenhuma outra situação

Alguns ateus céticos provavelmente irão rejeitar a ideia de que a fé não é uma maneira de saber algo. Porém, as coisas que supostamente ateus assumem, como a confiabilidade dos sentidos, na verdade geralmente não são ‘levadas na fé’ da mesma forma como as ideias religiosas são. Por um lado, somos constantemente bombardeados com novas evidências a respeito da confiabilidade dos sentidos, como confirma cada vez mais a ciência, e como novas experiências provam ser consistentes com as antigas. O mundo poderia ser como uma Matrix ou um sonho, mas a navalha de Occam recomenda a explicação simples, que o mundo é o que parece ser e não é uma ilusão elaborada criada por meios desconhecidos. Além disso, há uma necessidade prática de viver a vida com base na melhor informação que se tem, mesmo se não for absolutamente certa.

Dito isto, mesmo essa aceitação não é absoluta. A maioria das pessoas não estão dispostas a aceitar a possibilidade de que ilusões, alucinações ou sonhos podem enganar os sentidos, pelo menos de vez em quando. Isto está em forte contraste com a crença religiosa. Teístas muitas vezes sentem uma forte lealdade para com os seus, tais crenças que eles não estão dispostos a enfrentar até mesmo na possibilidade de que eles possam estar errados. O que tais pessoas chamam de "fé" não é certamente uma maneira de saber no que a gente confia.

Outras maneiras de conhecer a Deus devem ser possíveis

Um Deus onipotente, ou mesmo um com um poder grande o suficiente para torná-lo digno de ser chamado Deus, deve ser capaz de se manifestar no mundo físico, fazer milagres, falar diretamente com os seres humanos, e muitas outras coisas. Se ele o fez, a fé seria desnecessária, e isso parece ser uma maneira muito mais honesta e direta para ele interagir com a humanidade. Uma vez que essas coisas não parecem estar acontecendo com as pessoas hoje em dia, o fato de que nós temos que confiar na fé a acreditar nele parece ser uma razão para não acreditar que ele realmente existe.

A fé não é Confiável

Isto deveria ser óbvio para qualquer um que leve mesmo que um breve momento para pensar sobre o assunto, mas, por vezes, devemos lembrar disso em voz alta. Os membros de seitas religiosas e pessoas, mesmo convencionalmente, muitas vezes têm fortes convicções que os levam a cometer um assassinato ou suicídio, mesmo quando as suas crenças são demonstravelmente falsas. Diferentes religiões se contradizem e, no entanto, são muitas vezes baseadas em graus similares de fé. Obviamente, ter fé em algo, por mais forte, não significa que seja a verdade, ou mesmo dá credibilidade ao conceito. Se você diz que a fé é a única maneira de determinar se existe um Deus, como afirmado em p2, então você está em um terreno infértil, e é necessário muito mais.

O ateu não tem acesso direto à fé em Deus

Por definição, nenhum ateu tem fé em Deus, e isso geralmente não é possível fazer-se acreditar em qualquer coisa por qualquer motivo arbitrário (embora isto seja muitas vezes o que teístas parecem exigir quando falam que um ateu necessita ter fé em Deus). Como resultado, nenhum ateu tem qualquer maneira de avaliar esse argumento, exceto referindo-se que as outras pessoas que têm fé (no caso que ele note que a fé não é uma fonte confiável de conhecimento).

Na verdade, este é um argumento contra-produtivo para usar para qualquer tipo de ateu. Desde que insista que a fé seja a melhor ou mesmo a única maneira de conhecer a Deus, isso implica que qualquer pessoa que não pode ter fé dever dar-se imediatamente ao descobrir qualquer coisa sobre ele. Além disso, incentiva os teístas a desistir de alguma vez de justificar as suas próprias crenças com provas ou raciocínio, já eles poderiam usar esse raciocínio para se escorar na sua própria fé ou para convencer os outros que seus objetivos são sólidos.

Auto-justificadora / natureza circular do argumento

Este argumento é muito pouco convincente para quem já acredita na conclusão. No entanto, ela fornece uma maneira para os crentes reafirmarem sua fé através do raciocínio circular (minha fé em Deus é justificada pela minha fé em Deus). Isso faz com que o argumento seja de forma eficaz uma tática defensiva, uma que não tem poder para convencer, mas que se torna inatacável por pura teimosia. Ou seja, um ateu confrontado com alguém que sinceramente toma este argumento pode desistir, simplesmente porque o teísta em questão parece totalmente inacessível através da discussão racional.